segunda-feira, 17 de julho de 2017

 






FOGOS FLORESTAIS
GRUPO DE TRABALHO PREPARA SOLUÇÕES PARA AS BACIAS HIDROGRÁFICAS AFECTADAS PELOS FOGOS


Uma plataforma composta por 130 pessoas, entre investigadores, engenheiros, psicólogos e juristas, iniciou ontem, de forma gratuita e voluntária, um projecto para elaborar um plano de intervenção e apresentar soluções para as bacias hidrográficas afectadas pelos incêndios de Junho.

O grupo de trabalho, com a designação ‘Depois da Tragédia a Sociedade Civil chega ao terreno’, constituído por investigadores de universidades de vários pontos do país, pelos municípios envolvidos e pelas comunidades locais, pretende definir propostas de intervenção e reconstrução após uma “investigação-acção” nas áreas da Bacia Hidrográfica do Zêzere e municípios circundantes, segundo Aurora Carapinha, uma das mentoras do projecto.

Esta equipa é constituída por “técnicos com experiência de trabalho com comunidades” e por “técnicos que recorrem a ferramentas de análise e de construção de soluções inovadoras”, disse à Lusa Aurora Carapinha, pretendem adoptar medidas capazes de “não só de reconstruir os lugares, como de impedir que estas situações se possam repetir”.

A iniciativa, que parte do Departamento de Paisagem, Ambiente e Ordenamento da Universidade de Évora e do Centro de Estudos de Arquitectura e Urbanismo da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, tenciona criar um Laboratório na Paisagem da Bacia Hidrográfica do Zêzere, liderado por arquitectos paisagistas, de acordo com o comunicado emitido pela organização.

O projecto-piloto, que parte do município da Sertã e deverá ser estendido “a todos os municípios da Bacia Hidrográfica do Zêzere que apresentam características e problemas semelhantes”, planeia construir estratégias com “um arco temporal mais amplo e com uma visão territorial abrangente” e conta com “profissionais de diferentes áreas de investigação”, acrescenta a investigadora da Universidade de Évora.

A plataforma considera “pertinente para a gestão da paisagem” a “ponderação primária da questão da água, recurso que sustenta toda a paisagem que se pretende ecológica, económica e socialmente equilibrada”.

O grupo pretende até segunda-feira, 17 de Julho, apresentar “um conjunto de medidas a adoptar a curto e médio prazo” e também identificar “os principais vectores a ter em conta em trabalhos posteriores, a ponderar em instrumentos legislativos e regulamentares que tenham esta paisagem como destinatária”, afirma a mesma fonte.

Dois grandes incêndios começaram no dia 17 de junho em Pedrógão Grande e Góis, tendo o primeiro provocado 64 mortos e mais de 200 feridos. Foram extintos uma semana depois.
Estes fogos terão afectado aproximadamente 500 habitações, 169 de primeira habitação, 205 de segunda e 117 já devolutas. Quase 50 empresas foram também afectadas, assim como os empregos de 372 pessoas.

Os prejuízos directos dos incêndios ascendem a 193,3 milhões de euros, estimando-se em 303,5 milhões o investimento em medidas de prevenção e relançamento da economia.

Agência Lusa, in Diário de Notícias - 14 de Julho de 2017





GEOTA - RIO TÂMEGA
CAMPANHA “Vota Tâmega” QUER PARAR A CONSTRUÇÃO DE BARRAGENS

Com o objetivo de que se pare a construção das barragens do Vale do Tâmega, surge agora uma campanha promovida pela associação ambientalista GEOTA, no âmbito do projeto Rios Livres, que dá pelo nome ‘Vota Tâmega’.

Esta ação pretende sensibilizar os/as candidatos/as a Presidente de Câmara nas Eleições Autárquicas de outubro de 2017 para o impacto negativo das novas barragens no Vale do Tâmega: Fridão, Daivões, Gouvães e Alto Tâmega.

“Durante vários dias trabalhámos para sensibilizar candidatos e candidatas a autarcas dos municípios afetados a assinarem a Declaração pelo Tâmega: documento que defende um rio limpo, sem poluição e sem novas barragens. Até ao momento, nenhum dos candidatos assinou a declaração”, explicam os dinamizadores da campanha em comunicado.

Iniciada em junho, a campanha continua em www.votatamega.com, local onde se apresentam as 8 razões pelas quais esta campanha pede o fim da construção destas barragens. Entre os dias 18 e 23 de julho, arranca também mais uma Caravana pelo Tâmega, que vai passar por várias localidades para falar com as populações, informar sobre o tema e insistir que os/as candidatos/as a autarcas assinem a Declaração.

“Esta é a segunda Caravana pelo Tâmega. Percebemos na primeira edição, em novembro de 2015, que muitos munícipes do Vale do Tâmega não concordavam com estas obras, nem se sentiam representados pelos autarcas. Em ano de eleições vamos explicar aos candidatos e candidatas o quão destrutivas são estas novas barragens e dar ferramentas a quem vota para agir”, explica Ana Brazão, coordenadora do Projeto Rios Livres – GEOTA.

“Vota Tâmega pretende mostrar às candidaturas e às populações locais que uma barragem produz mais do que energia elétrica. Na verdade, este tipo de construções tem impactes profundos a nível financeiro, ambiental e patrimonial, que não se justificam, uma vez que as barragens do Vale do Tâmega vão ser responsáveis pela inundação de mais de 1 856 hectares. Era como se a Ilha do Corvo, nos Açores, ficasse debaixo de água. Tudo isto para produzir cerca de 0,4% da energia consumida em Portugal”, acrescentam em comunicado.

in Ambiente Magazine - 17 de Julho de 2017

segunda-feira, 10 de julho de 2017

ALTO TÂMEGA - BARRAGENS: ENTRE TRISTEZA E RESIGNAÇÃO, GLÓRIA TEM DE DEIXAR CASA POR CAUSA DE BARRAGEM








ALTO TÂMEGA - BARRAGENS

Entre tristeza e resignação, Glória tem de deixar casa por causa de barragem

                                                                                                                                PEDRO SARMENTO COSTA/LUSA

Depois de uma vida em Viela, aldeia de Ribeira de Pena, Glória Silva vai ter de deixar a sua casa devido à construção de uma das barragens do Alto Tâmega, uma situação que a deixa triste, mas resignada.

"Nasci aqui e fui aqui criada", afirmou à agência Lusa a habitante de Viela, uma das aldeias do concelho de Ribeira de Pena, distrito de Vila Real, que vai ser afetada pela construção da barragem de Daivões, incluída no Sistema Eletroprodutor do Tâmega.

Está localizada mesmo junto ao Tâmega e, do lado de lá do rio, podem ser observados os trabalhos de construção de um túnel de grandes dimensões que vai servir as barragens.
Glória, com 65 anos, já não se incomoda com o barulho das obras, que aqui já duram há quase dois anos e mostra-se resignada quanto ao futuro.

"Estou triste porque tenho aqui as minhas coisas e agora tenho que deixar tudo para ir para outro lado. Faz-me tristeza, faz-me pena", referiu.

Glória e o marido foram os únicos residentes que a Lusa encontrou numa passagem pela aldeia, mas há outras famílias que vão também ter de deixar as suas casas.

"As famílias que vivem da estrada para baixo vão sair todas. Não é que a água chegue aqui mas tem que ficar distante uns tantos metros", explicou.

As negociações estão a decorrer com a espanhola Iberdrola, a concessionária do Sistema Eletroprodutor do Tâmega, que inclui a construção de três barragens: Daivões, Gouvães e Alto Tâmega.

Para já, segundo adiantou, ainda não há prazo para terem de sair da aldeia. É um processo que vão poder fazer com calma, até porque está previsto que as obras se arrastem até 2023, mas Glória já tem uma casa em vista.

Quer ficar mais perto da sede de concelho, mas quer também uma casa com muito espaço, como o que possui em Viela. "Gosto de estar assim descansada, tranquila", contou.

Ainda emigrou uns anos para França, mas em 1977 construiu a sua residência.

"Vai ser como que recomeçar a vida em outro sítio, mas tem de ser. É a vida", frisou.

O Estudo de Impacte Ambiental (EIA) das barragens do Alto Tâmega indica que, na pequena aldeia de Viela, poderão ser afetadas à volta de 10 habitações, dependendo da cota da barragem, mais a estrada de acesso e cerca de 80% de toda a sua área.

O Sistema Eletroprodutor do Tâmega é um dos maiores projetos hidroelétricos levados a cabo na Europa nos últimos 25 anos e contempla a construção de três aproveitamentos hidroelétricos na região do Alto Tâmega: Gouvães (bombagem), Daivões (turbinação) e Alto Tâmega (turbinação).

As barragens deverão estar concluídas em 2023 e o maior volume de trabalhos concentra-se entre os anos 2018 e 2020.

Pedro Sarmento Costa/Lusa, in Jornal de Notícias - 9 de Julho de 2017